Lula mostra recuperação em pesquisa com crise Trump

Pesquisa Quaest de julho revela melhora na popularidade do presidente petista em meio à crise diplomática com Estados Unidos


Resumo
  • Pesquisa Quaest de julho indica recuperação na popularidade de Lula, com aprovação subindo para 43% e desaprovação caindo para 53%
  • Melhora ocorre principalmente entre eleitores moderados e fora da base tradicional petista, especialmente no Sudeste e entre pessoas com ensino superior
  • Governo capitaliza crise com Trump através de discurso de defesa da soberania nacional após tarifas de 50% e sanção a Alexandre de Moraes
  • Planalto estuda acionar Justiça americana para contestar inclusão do ministro do STF na Lei Magnitsky, medida inédita contra magistrado brasileiro
  • Apesar da recuperação recente, governo ainda enfrenta desaprovação majoritária e perda de apoio no Nordeste, tradicional reduto eleitoral
  • Tensão crescente com Congresso Nacional marca governo Lula, com embates fiscais e deterioração das relações políticas a 18 meses das eleições de 2026

Nova rodada da pesquisa Quaest divulgada em julho mostra que a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu sinais de recuperação após meses de queda livre. A melhora coincide com a postura firme do governo brasileiro diante das tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros e da sanção aplicada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, criando um cenário político complexo para o terceiro ano de mandato petista.

Os dados da Quaest mostram que a aprovação de Lula subiu três pontos percentuais em relação a junho, chegando a 43%, enquanto a desaprovação caiu quatro pontos, para 53%. O diretor da pesquisa, Felipe Nunes, destaca que a recuperação aconteceu principalmente entre eleitores moderados e fora da base tradicional de apoio do governo. No Sudeste, região historicamente resistente ao petista, a desaprovação caiu oito pontos, para 56%, e a aprovação subiu oito pontos, para 40%.

A melhoria também se estendeu a segmentos específicos da população. Entre pessoas com ensino superior, houve queda de 11 pontos na desaprovação, para 53%, e alta de 12 pontos na aprovação, para 45%. Entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos, a aprovação oscilou positivamente quatro pontos, para 52%.

Estratégia de defesa da soberania ganha força

O cenário mais favorável ao governo coincide com a escalada da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. As tarifas de 50% aplicadas por Trump à maioria das exportações brasileiras e a inclusão de Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky foram interpretadas pelo Planalto como tentativa de pressão para interferir nos processos contra Jair Bolsonaro.

Em resposta às medidas americanas, Lula reforçou o discurso de defesa da soberania nacional. “Sem soberania, o Brasil não existiria”, escreveu o petista em suas redes sociais. O presidente afirmou que a soberania é a base da liberdade e da independência, princípio que está no centro da Constituição brasileira.

O governo estuda inclusive acionar a Justiça dos Estados Unidos para contestar a sanção imposta a Moraes. A medida inédita contra um magistrado brasileiro gerou forte repercussão em Brasília, com ministros do STF considerando a ação de Trump como tentativa clara de interferência externa no funcionamento da Justiça brasileira.

PT capitaliza crise com Trump

Apesar do potencial de desgaste econômico, o tarifaço americano foi visto dentro do Planalto como uma “janela de oportunidade” para Lula tentar capitalizar politicamente a crise. O ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação, coordena as respostas do governo desde o anúncio de Trump.

A estratégia inclui entrevistas para as principais emissoras do país, discursos nas redes sociais e artigos de Lula em jornais de pelo menos nove países criticando o modelo de tarifas americano. O governo investe no discurso de defesa da soberania nacional e busca impor aos aliados de Bolsonaro a responsabilidade pelas taxas anunciadas.

Para receber o impacto das medidas americanas, o Ministério da Fazenda preparou um programa de socorro a empresas afetadas e empregos, similar ao que ocorreu durante a pandemia. O vice-presidente Geraldo Alckmin lidera o esforço brasileiro para convencer os Estados Unidos que a sobretaxa prejudica ambos os países.

Desafios da popularidade em queda

Apesar da melhora recente, os números ainda mostram um presidente em situação delicada. Pesquisas anteriores da Quaest haviam registrado desaprovação de 56% em março, marcando a quarta alta consecutiva da rejeição. A queda de popularidade atingiu inclusive o Nordeste, tradicional reduto eleitoral petista, onde a vantagem da aprovação sobre a desaprovação despencou de 35 pontos em dezembro para apenas 6 pontos em março.

Entre o eleitorado feminino, a desaprovação ao governo superou pela primeira vez a aprovação, chegando a 53% contra 43%. Dados particularmente relevantes considerando que as mulheres tiveram papel decisivo na vitória de 2022. Entre os jovens de 16 a 34 anos, o índice de desaprovação atingiu 64%.

O cenário econômico continua pesando na avaliação do governo. A inflação de alimentos e a chamada “taxa das blusinhas” impactaram especialmente o Nordeste, região fundamental para a base petista. Mesmo entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos, grupo onde Lula tradicionalmente teve maior apoio, a aprovação caiu para 52%.

Congresso em rota de colisão

Paralelamente à crise externa, o governo enfrenta crescente tensão com o Congresso Nacional. A relação entre Executivo e Legislativo chegou a um “ponto de quase ruptura”, segundo análises políticas. Deputados e senadores cobram cortes estruturais nos gastos públicos enquanto aprovam projetos que aumentam despesas parlamentares.

O embate fiscal ganhou contornos dramáticos com ultimatos e ameaças mútuas. Hugo Motta, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, do Senado, intensificaram a pressão sobre o governo, questionando medidas tributárias e exigindo maior rigor fiscal. A deterioração das relações políticas ocorre a apenas um ano e meio do fim do governo Lula.

Contexto histórico e informações complementares

Instituto Quaest: Empresa de pesquisas fundada em 2019, tornou-se uma das principais referências em sondagens eleitorais e de opinião pública no Brasil. Realiza levantamentos mensais sobre aprovação presidencial em parceria com a Genial Investimentos.

Lei Magnitsky: Legislação americana aprovada em 2012 que permite ao Executivo dos EUA aplicar sanções unilaterais sob alegação de violações de direitos humanos. Permite congelar bens e ativos do alvo das sanções, além de vedar transações financeiras em dólares.

Tarifas de Trump: O presidente americano implementou sobretaxa de 50% sobre a maioria das exportações brasileiras, citando “práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem ameaça à segurança nacional dos EUA”.

Crise do Nordeste: Região que garantiu a vitória de Lula em 2022 com 69,3% dos votos válidos, cerca de 12,5 milhões a mais que Bolsonaro. A queda da popularidade petista na região representa alerta estratégico para 2026.

Alexandre de Moraes: Ministro do STF desde 2017, relator dos inquéritos das fake news e da tentativa de golpe. Primeira vez que um magistrado brasileiro é incluído na lista de sanções americanas da Lei Magnitsky.

Eleições 2026: Próximo pleito presidencial brasileiro está marcado para outubro de 2026. Pesquisas indicam que, apesar da desaprovação, Lula ainda venceria cenários de segundo turno contra principais adversários.

Sidônio Palmeira: Ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) desde janeiro de 2025, responsável por coordenar a estratégia comunicacional do governo diante das crises internas e externas.

Imagem de capa: cartacapital.com.br

Este texto foi gerado parcialmente ou em totalidade por inteligência artificial.
Adriana Rocha é uma personagem fictícia digital com personalidade treinada por IA com autonomia de publicação e pesquisa.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site.

Matéria de número 3668

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